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Inspiração: Conheça 8 empreendedoras brasileiras com soluções inovadoras de impacto socioambiental

Mesmo com os obstáculos do setor, elas chegam para transformar a sociedade e o meio ambiente.

Ser mulher e empreender está longe de ser fácil. Conciliar a carreira, a profissão, o empreendimento e, muitas vezes, a família é desafiador. E ainda mais quando o mercado não é propício para o seu crescimento como empresária.

O 2º Mapa de Negócios de Impacto, realizado pela Pipe.Social em 2019, apresenta dados relevantes sobre a presença feminina na liderança de negócios de impacto socioambiental.

Dos negócios analisados, apenas 34% têm empreendedores mulheres. Com maior participação em soluções relacionadas à Cidadania (36%) e Educação (37%), o vale da morte ainda é um grande obstáculo. Um quadro societário parte ou totalmente composto por mulheres têm menos chances de receber aportes altos.

E não é somente isso. Enquanto homens acessam mais fundos de profissionais, elas têm como maior parte de sua fonte de recursos o governo ou rede própria (amigos, família, fãs e crowdfunding).

Em contrapartida, dados de uma pesquisa publicada em 2017 pela British Council em parceria com a NESst Brasil, mostram o quão bem empreender faz bem a elas. Cerca de 75% das mulheres que empreendem em negócios sociais e/ou ambientais se autovalorizam e 56% afirmam estarem mais capazes de fazer suas próprias escolhas.

São essas mulheres que perfilamos nessa matéria, aquelas que encararam os desafios de empreender, superaram obstáculos e hoje estão à frente de negócios de impacto com soluções inovadoras que solucionam problemas sociais e ambientais em diversos segmentos. Conheça mais sobre 8 cases de sucesso que foram fundados e são liderados por mulheres incríveis.

Mulheres, empreendedoras, inovadoras e impactando positivamente o mundo


1)Simony Cesar – Nina

Nascida no Recife, no estado de Pernambuco, Simony Cesar cresceu em uma área suburbana da cidade. Com parte da família trabalhando no transporte público e, mais precisamente, sua mãe sendo cobradora de ônibus, ela viu desde jovem os problemas vividos por mulheres que utilizam esse meio de mobilidade urbana.

Já adulta, percebeu que esses assédios também eram um dos fatores impeditivos na manutenção das mulheres no ensino superior. Neste cenário e focada em desvendar e resolver esse problema, Simony criou o NINA Mobile.

A NINA é uma tecnologia que permite mapear e denunciar casos de assédio que acontecem no transporte público. Seu objetivo é empoderar vítimas e testemunhas para que não tenham receio de fazer essas denúncias.

O negócio já recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais e  Simony apareceu na concorrida Forbes Under 30, no ano de 2019, uma lista que reconhece jovens promissores abaixo dos 30 anos.


2) Ana Laura Castro – Maternativa

A vida da mulher muda completamente quando ela se torna mãe. No mercado de trabalho, falta apoio das empresas e, muitas delas, dispensam essas profissionais logo após o retorno da licença ou não compreendem a nova rotina, restringindo seus horários como qualquer outro perfil de profissional

A pedagoga Ana Laura Castro se viu nesse cenário nada animador e sentiu na pele as dificuldades de retomar suas atividades. Ela resolveu agir.

Em 2015, junto com uma amiga, que também sofreu as dificuldades pós-maternidade, criou a Maternativa, a primeira startup de impacto social do Brasil com a proposta de transformar a relação das mães com seus trabalhos.

Entre seus serviços há workshops, capacitações, encontros, feiras de empreendedorismo. Também administra uma rede gratuita de compartilhamento de dúvidas e experiências, desenvolve projetos com empresas que querem contribuir com a causa e traz visibilidade para a produção de mães empreendedoras com o Compre das Mães, uma vitrine virtual de produtos e serviços realizados por mães da rede.


 3) Iana Chan – PrograMaria

Um mercado majoritariamente feminino e a ideia fixa de que o tema não é “coisa de menina” e por isso elas “não se interessam”. Esse é o pensamento que permeia o setor de tecnologia no Brasil e no mundo. E são esses estigmas que a PrograMaria quer romper.

Parte de uma família de imigrantes chineses, Iana sempre gostou de construir e ver suas ideias se concretizarem. Não demorou muito para se apaixonar por tecnologia. Apesar da aproximação, seguiu na área de comunicação e se formou jornalista, área em que trabalhou durante muitos anos antes de resolver empreender.

Durante sua carreira no jornalismo, teve bastante contato com desenvolvedores de sistemas e percebeu que sua afinidade com o assunto ajudava ela a se conectar mais facilmente com os profissionais do setor. Ainda assim era um ambiente quase que totalmente masculino, mas Iana sabia que assim como ela muitas outras mulheres gostariam de fazer parte da área, mas não tinham incentivos nem respaldo.

Assim surgiu a PrograMaria, iniciando como um clube de programação para mulheres e evoluindo para um negócio de impacto que realiza oficinas de programação, workshops e mentoria para mulheres que querem entrar no ramo, e também soluções para grandes empresas que querem equilibrar o quadro de colaboradores de tech e se aproximar dessa potência feminina.


4) Michele de Souza- Cycor  

Diagnosticada com Síndrome de Asperger no início da adolescência, Michele percebeu que sua saída era estudar. E muito. Sempre teve fascínio sobre o corpo humano, e começou a estudá-lo. Tempos depois se apaixonou e se aprofundou na tecnologia. A soma das duas áreas teve como resultado sua especialização em neuroengenharia e integração homem-máquina.

Com ambos conhecimentos e vontade de transformar a vida de pessoas que possuem deficiências físicas, Michele fundou a Cycor. Um negócio que utiliza novas tecnologias para melhorar a qualidade de vida e empoderar essas pessoas.

Entre suas criações estão uma prótese de membro superior inteligente, que responde aos comandos do cérebro do paciente, e um exoesqueleto que permite erguer pessoas com problemas de sustentação do corpo (como paraplégicos).

 


5) Cláudia Pires – So+ma 

Formada em Publicidade e Ciências Sociais, Cláudia Pires já trilhava uma longa carreira no mercado corporativo quando decidiu empreender. A so+ma foi fundada em 2015 com a ideia de proporcionar melhorias sociais e ambientais, paralelamente.

A solução se trata de um programa de fidelidade que acumula pontos quando a pessoa descarta os resíduos de forma consciente nos pontos distribuídos pela empresa. O objetivo é valorizar o resíduo e promover a mudança de atitude e o hábito de reciclagem nas comunidades periféricas, ao mesmo tempo que entrega benefícios reais aos cidadãos.

O resíduo agrega outro significado: uma moeda de troca. Quando uma pessoa se filia

 ao programa e descarta o que é “lixo reciclável” nos pontos de coleta da empresa, ela acumula pontos que podem ser trocados diversos benefícios como alimentação e cursos de capacitação.

Além disso, os postos que recebem esses descartes têm gerenciamento de cooperativas de catadores de resíduos sólidos. Esse formato 360º permite que a so+ma entenda qual é a cultura e hábito local e apoie também negócios locais que contribuem com o desenvolvimento territorial.


6) Itala Herta – Diver.ssa

 Diferente de Cláudia, Itala já empreendia e conhecia bem o ecossistema quando decidiu fundar a Diver.ssa.

Seu currículo é intenso e extenso, repleto de experiências: formada em Relações Públicas, com mais de 10 anos de atuação em projetos socioculturais e de inovação, sócia-fundadora do Vale do Dendê, aceleradora com foco em afro empreendedorismo de jovens e mulheres, situada em Salvador, colaboradora de redes e projetos que fomentam o protagonismo feminino, Alumni do Programa de Liderança de Visitantes Internacionais do – IVLP do States Departament.

Com toda essa bagagem, Itala decidiu fundar e empreender o Diver.ssa, um negócio de impacto com o objetivo de fortalecer o empreendedorismo feminino de impacto social nas regiões Norte e Nordeste.

Com metodologia de acolhimento própria baseada em autoconhecimento, autoconfiança e autogestão e que considera todo o contexto vivido pelos vários perfis femininos, a empresa promove a aprendizagem por meio de mentorias coletivas e individuais. Também realiza projetos e consultorias para grandes empresas como Ambev, Google, Itaú e Oi, que querem se aproximar da temática.


7) Tatiana Pimenta – Vittude

Da engenharia civil para saúde emocional e mental. Esse foi o caminho percorrido por Tatiana Pimenta, CEO e fundadora da Vittude.

Com uma carreira consolidada no setor de engenharia civil e passagens por empresas como Intercement e Votorantim, Tatiana apresentava habilidade analítica e de relacionamento interpessoal.

Em 2015, após uma crise de carreira paralela a uma de saúde em sua família, decidiu seguir outros rumos. Ao estudar mais a área da saúde, identificou problemas no acesso de serviços básicos que garantem a saúde e o bem-estar do ser humano, incluindo o acesso à terapia, um tratamento que ela mesma fazia e sabia o quão importante era para manter a saúde mental e emocional equilibradas. Surgiu então a ideia do novo empreendimento que foi lançado em 2016.

A Vittude é uma plataforma online que conecta psicólogos e pacientes, facilitando o acesso a terapia e remunerando de forma justa o profissional. Tudo é feito de forma online, incluindo as consultas.

Atualmente, segundo o site da empresa, mais de 3 milhões de pessoas acessam a plataforma por mês.


8) Emanuelly Oliveira – Social brasilis

Nascida em Quixadá, no Ceará, Emanuelly Oliveira começou muito nova, com apenas 9 anos, a trabalhar em projetos sociais com famílias da periferia. A partir desse contato, se enraizou um propósito: “a educação como respostas para as inquietações sociais”, como Manu conta em seu blog.

A carreira escolhida não poderia ser outra. Se formou em Letras, na Universidade Federal do Ceará, seguiu com trabalhos sociais e de educação até chegar nas aulas de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

­­No ano de 2015, conversando com seus alunos sobre expectativas para o futuro e projetos interrompidos por conta de problemas sociais, Manu percebeu que a não inclusão digital dessas pessoas afetava diretamente o seu desenvolvimento. Nessa reflexão surgiu a ideia do Social Brasilis.

Com metodologias próprias, o Social Brasilis atua na formação de pessoas e comunidades vislumbrando o futuro e a nova economia. Seus programas educacionais são realizados utilizando games e plataformas virtuais, com o objetivo de desenvolver suas habilidades 4.0 (tais como criatividade, comunicação, inteligência emocional, WEB), competências digitais e múltiplas inteligências.

 

Quais outras histórias de empreendedoras brasileiras que estão transformando a sociedade e o meio ambiente você conhece e gostaria de ver por aqui? 

 


Sobre a Kaleydos

Kaleydos é uma plataforma de investimento e desenvolvimento de soluções e negócios alinhados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Apoiamos negócios inovadores em estágio inicial de maneira personalizada mesclando mentoria, capital semente e co-gestão. Somos uma iniciativa do Instituto Jatobás. Clique aqui para saber mais sobre nós.

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